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Fertirrigação: Uso e uma irrigação eficiente na nutrição de plantas

Pode-se considerar que a irrigação teve um avanço considerável nas últimas décadas, tanto no que diz respeito ao aprimoramento de novos métodos de se levar água ao solo e as culturas, como no incremento de novas áreas irrigadas. Dentre as vantagens da irrigação, destaca-se a possibilidade de se utilizar o próprio sistema de irrigação como meio condutor e distribuidor de produtos químicos como fertilizantes, inseticidas, herbicidas, nematicidas, reguladores de crescimento, etc., simultaneamente com a água de irrigação, prática conhecida, atualmente, como quimigação. (EMBRAPA, 2009).

Já a fertirrigação, é o termo utilizado para a aplicação de fertilizantes via água de irrigação, sendo a maneira mais eficiente para destruição de fertilizantes. Essa prática vem sendo aprimorada ano após ano com ganhos expressivos nas produtividades das culturas.

VANTAGENS
  1. Maior aproveitamento do equipamento de irrigação, condicionando maior rentabilidade e melhor uso do capital investido.
  2. É possível uma aplicação mais precisa, e no momento certo requerido pelas plantas.
  3. Redução do desperdício de adubo, pois devido a aplicação via água, a perda por carreamento do adubo solido diminui.
  4. Diminui o dano físico na cultura e a compactação do solo, graças a diminuição no tráfego de máquinas.
  5. Maior frequência e maior uniformidade de aplicação dos fertilizantes.
DESVANTAGENS
  1. Necessita de mão de obra especializada, buscando evitar erros e a consequente poluição do ambiente.
  2. Possibilidade de corrosão dos equipamentos de irrigação.
  3. Aumento das perdas de carga no sistema de irrigação.
  4. Aumento nos custos inicial no sistema de irrigação.
FATORES RELACIONADOS AOS ADUBOS

Ao se escolher os produtos a serem aplicados via água de irrigação, deve-se observar aspectos como: solubilidade do produto na água; poder acidificante do solo e água de irrigação; compatibilidade com outros produtos; pureza do produto comercial; poder corrosivo; riscos ambientais e custos com a fertirrigação. (EMBRAPA, 2009).

OBS: fertilizantes e demais produtos insolúveis ou pouco solúveis podem ocasionar obstruções das tubulações e emissores do sistema de irrigação.

Shani (1983) classifica os fertilizantes com possibilidade de uso na fertirrigação em três grupos:

  • a) fertilizantes líquidos comercializados na forma de soluções prontas para serem usadas sem tratamento prévio;
  • b) fertilizantes sólidos facilmente solúveis, que devem ser dissolvidos antes de serem utilizados;
  • c) fertilizantes de baixa solubilidade e que não são recomendados para uso na fertirrigação.

Os fertilizantes nitrogenados, potássicos e micronutrientes são, na sua grande maioria, solúveis em água e não apresentam problemas quanto ao seu uso. Já os fertilizantes fosfatados não são recomendados para a aplicação via fertirrigação, devido a sua baixa solubilidade em água e baixa velocidade de deslocamento no solo e, devido a isso o mesmo se torna improprio para o uso. Embora, exista alguns fertilizantes fosfatados solúveis em água, como o fosfato de amônio, estes não são recomendados devido a sua capacidade de reação e de formar precipitados com o cálcio, que mesmo em pequena quantidade pode causar obstruções nos emissores do sistema de irrigação.

Para a aplicação de cálcio, recomenda-se o uso de nitrato de cálcio e cloreto de cálcio, no entanto, essa operação deve restringir-se a solos muito ácidos e com elevado teor de sódio, já que o elemento cálcio costuma formar precipitado, trazendo problemas para o sistema de irrigação.

Tabela 1: Quadro de composição dos fertilizantes que possuem micronutrientes

Fertilizante

Fórmula Porcentagem de nutrientes Solubilidade kg/100L
Sulfato de cobre CuSO45H2O 25% Cu 22
Sulfato de manganês MnSO44H2O 28% Mn 105
Molibdato de sódio NaMoO42H2O 39% Mo 56
Molibdato de amônio (NH4)2MoO4 48% Mo 40
Sulfato de zinco ZnSO4 22% Zn 75
Ácido bórico H3Bo3 16% B 5
Fonte: SENAR 2019

Tabela 2: Quadro de composição dos fertilizantes que contém macronutrintes
Produto Conteúdo do nutriente % Solubilidade g/L de H2O
– N P P2O6 K K2O 10°C 20°C 30°C
Ureia 4,6 – 0 – 0 – 450 510 570
Nitrato de amônia 33,5 – 0 – 0 – 610 660 710
Sulfato de amônia 20 – 0 – 0 – 420 430 440
Nitrato de cálcio 15,5 – 0 – 0 26,5 CaO 950 1200 1500
Fosfato de mono-amônio 12 26,6 61 – 0 – 290 370 460
Fosfato de mono- potássico 0 22,6 52 28 34 – 180 230 290
Nitrato de potássio 13 – 0 38 46 – 210 310 450
Multi K + Mg 12 – 0 35,6 43 2 MgO 230 320 460
Multi K+ NPK 12 0,9 2 36,5 44 – 210 330 480
Magnisal (Mg- nitrato) 10,8 – 0 – 0 15,8 Mg 2200 2400 2700
Sulfato de potássio 0 – 0 41,5 50 0 80 100 110
Fonte:Montang e Schrneck  (1998)

 

FATORES RELACIONADO OS INJETORES DE FERTILIZANTE NO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO

Para a realização da fertirrigação, o sistema de irrigação necessita de um injetor para incorporar o fertilizante na água. Existem alguns tipos de injetores, que variam em custo de instalação, energia utilizada e eficiência na distribuição do produto.

Howel et al. (1980) classificam os injetores de produtos químicos via água de irrigação em três grupos:

  • aqueles que utilizam pressão efetiva positiva como a bomba injetora e a injeção feita por gravidade;
  • os que utilizam diferença de pressão como o tanque de derivação e o injetor tipo Pitot e;
  • aqueles que utilizam pressão efetiva negativa, a exemplo do injetor tipo Venturi e da sucção pela própria sucção da bomba de irrigação.

– Injetores por gravidade

Injetores por gravidade

Fonte: Suszek (2018)

Esse método aproveita a energia de posição existente entre o reservatório contendo os fertilizantes e o nível em que se encontra a tubulação principal do sistema de irrigação.  É um método de injeção de custo relativamente baixo, porém, só pode ser utilizado em condições onde os sistemas de irrigação trabalham com baixa pressão. (EMBRAPA, 2009).

 

 

 

 

– Bomba centrifuga

Bomba centrifuga

Fonte: Pronex

São movidas por pequenos motores elétricos, a diesel ou a gasolina que conduzem os fertilizantes até a área irrigada, independente do relevo. Suas principais vantagens são o baixo custo em relação a outras bombas injetoras, e o fácil manuseio. Como desvantagem destaca-se o baixo rendimento e, caso ocorra variação na energia, também ocorre redução na rotação e consequente distribuição dos fertilizantes.

 

 

 

– Bomba tipo diafragma

Bomba tipo diafragma

Fonte: Hidrosense

As bombas injetoras tipo diafragma são equipamentos que trabalham com uma pressão efetiva positiva e superior a  pressão disponível no sistema de irrigação. Tendo uma taxa constante de injeção de fertilizante na água. Existem bombas tipo diafragma com capacidade de injeção de 10 a 250 L/h e que podem trabalhar com pressões de serviço entre 1,8 e 8 kg/ cm2 (NATHAN, 1994).

 


 

– Bomba tipo pistão

Bomba tipo pistão

Fonte: EMBRAPA (2009)

São bombas dotadas de um ou mais pistões acoplados em blocos metálicos que se movimentam quando acionados por bielas ou acoplados em roldanas. No início de cada ciclo, tem-se a abertura de uma válvula de aspiração que deixa passar para o interior de câmara um volume de solução proveniente de um reservatório. Quando o pistão executa o movimento em sentido contrário, a válvula de aspiração se fecha e a válvula propulsora é aberta. O aumento da pressão no interior do cilindro provoca a abertura de válvula de descarga que deixa passar o volume da solução anteriormente aspirado e, daí ela passa a ser injetada na tubulação de irrigação (EMBRAPA, 2009).


 

– Tanque de derivação

Tanque de derivação

Fonte: EMBRAPA (2009)

O tanque de derivação é um recipiente cilíndrico, geralmente metálico, ligado ao sistema de irrigação. A solução é incorporada na tubulação de descarga do sistema de irrigação através de uma tubulação que sai do reservatório. Um registro de fechamento lento é instalado entre os pontos de entrada e de saída das duas tubulações citadas, justamente para criar um diferencial de pressão que permite o processo de funcionamento do tanque de derivação. O diferencial de pressão faz com que a água seja desviada em maior ou menor volume para o interior do tanque. A tubulação de entrada conduz a água limpa para o tanque que contém a solução a ser aplicada e, após a diluição, a solução passa a ser conduzida pela tubulação de saída e introduzida na tubulação principal do sistema de irrigação.

– Tubo de Venturi

Tubo de Venturi

Fonte: Mercado livre

Esse tipo de injetor introduz a solução de fertilizantes com vazão constante na tubulação principal. O valor da vazão do injetor está relacionado ao diâmetro (Ø) informado pelo fabricante. Salientando-se que o valor da capacidade de sucção do Venturi indicado pelo fabricante se refere a água pura, e esta capacidade se reduz à medida que a densidade da solução fertilizante aumenta.

A maior vantagem destes injetores de fertilizantes é a simplicidade do dispositivo, bem como seu preço, manutenção e durabilidade, além de não necessitarem de uma fonte de energia especial. Como limitação, pode-se citar a grande perda de carga provocada pelo estrangulamento da tubulação, podendo variar de 10 a 50% da pressão de entrada, dependendo do modelo.


Escrito por Jair Roberto Oliveira Alves,
aluno do 3° semestre do
curso de Agronomia da Universidade
Federal do Ceará, e bolsista do
Programa de Educação Tutorial – PET
Agronomia
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