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Bioestimulantes na Agricultura

   A demanda por alimentos vem crescendo cada vez mais e as projeções populacionais indicam crescimento acelerado e contínuo nas próximas décadas, o que deve elevar ainda mais a demanda por alimentos em geral. Para suprir essa demanda se tem se buscado cada vez mais tecnologias que possibilitem aumentar a produtividade de plantas cultivadas. Além disso, vem se buscando cada vez mais produtos que sejam menos danosos ao meio ambiente. Dentro da vertente de produtos que sejam menos nocivos ao meio ambiente, está o emprego de formulações conhecidas como bioestimulantes, sendo considerados uma tecnologia que possibilita incrementos na produtividade de plantas cultivadas. De maneira geral, os bioestimulantes podem ser constituídos, entre outros, por
nutrientes, hormônios, extrato de algas, aminoácidos, ácidos húmicos e fúlvicos e vitaminas que são ofertadas às plantas de modo que apenas absorvam encurtando os processos metabólicos, culminado em uma economia de energia pela planta, podendo essa energia ser usada para aumentar a produção. Diante do exposto, é notório que a
utilização de bioestimulantes na Agricultura vem crescendo nos últimos anos. Para que possamos entender melhor do que se trata os bioestimulantes, Yakhin et al. (2017) os define como produtos formulados de origem biológica, que melhora a produtividade da planta como consequência de propriedades emergentes de seus constituintes, e não como uma única consequência da presença de nutrientes essenciais para plantas, como os reguladores de crescimento ou compostos protetores de plantas. Essa definição vai de encontro com a afirmação de Bulgari et al. (2015), que diz que a sua ação biológica não deve ser atribuída a hormônios vegetais que podem fazer parte da sua constituição, caso contrário eles não seriam bioestimulantes, mas sim reguladores de crescimento.

   Os bioestimulantes podem ser classificados de acordo com a sua composição, sendo divididos em quatro grupos principais: os bioestimulantes a base de aminoácidos e hidrolisados de proteínas; a base de substâncias húmicas; a base de microorganismos e inóculos e extratos de algas.

   Os bioestimulantes a base de hidrolisados de proteínas podem ser de origem animal, vegetal, como resíduos da indústria de cerveja ou alfafa, ou podem ser sintetizados quimicamente. Diversos fatores podem afetar as repostas nas plantas, tais como a fonte (vegetal ou animal), o tipo de tecido utilizado, a fonte proteica, o tipo de
hidrólise e as condições da hidrólise.

   Estes bioestimulantes possuem efeitos diversos nas plantas como regulação de enzimas envolvidas na assimilação de N e seus genes estruturais, além de atuar na via de sinalização de aquisição de N das raízes (DU JARDIN, 2015). Além de se ter respostas hormonais em proteínas complexas e compostos hidrolisados (COLLA et al., 2014). Também podem ter efeito quelante, protegendo a planta de metais pesados e contribuindo para a mobilidade e aquisição de micronutrientes (DU JARDIN, 2015).  Os hidrolisados de proteína também possuem efeitos indiretos no crescimento e nutrição das plantas, aumentando a biomassa e atividade microbiana, respiração do solo e melhorando a fertilidade.

   Outro grupo, também bastante utilizado, é o que contém extrato de algas. Extratos de algas são utilizados na agricultura a muito tempo, entretanto seus efeitos estão sendo elucidados recentemente, com a sua utilização na composição dos bioestimulantes. Esse fato tem despertado bastante interesse da comunidade científica em entender os mecanismos de ação e metabolismos melhorados. Os principais gêneros utilizados para a fabricação desses bioestimulantes são a base de Ascophyllum, Fucus e Laminaria (DU JARDIN, 2015).

    As publicações relacionadas ao tema vêm demonstrando algumas funções em comuns entre os diferentes tipos de bioestimulantes tais como o aumento da eficiência nutricional, tolerância a estresses abióticos e/ou aumento da qualidade do valor nutricional, teor de proteína do grão e outros. Sendo que os bioestimulantes são mais utilizados como atenuadores de estresses abióticos.

   Apesar do aumento considerável no uso de bioestimulantes na agricultura, ainda existe bastante divergências, principalmente quando se trata da sua definição, pois existem diversas outras definições na literatura além da que foi citada nesse texto. Além disso, os pesquisadores possuem um grande desafio para compreender a grande complexidade dos efeitos que os bioestimulantes causam nas plantas. Podemos citar como respostas complexas as respostas no metabolismo primário, no crescimento e no desenvolvimento pois estes processos exigem rigorosos controles homeostáticos, o que dificulta a atuação deles. Para isso, é preciso que as interações entre bioestimulante, planta e meio ambiente sejam bem estudadas (DU JARDIN, 2015).

   Como já citado, os bioestimulantes podem ter diversos constituintes, além de poderem ter diferentes formas de aplicação, sendo elas: aplicação via solo, via tratamento de sementes ou via foliar. Já existem vários estudos que indicam quais tipos de bioestimulantes funcionam melhor para os diferentes estresses abióticos, principalmente os estresses hídrico, salino e altas temperaturas. Além disso, fatores como dose e manejo nas aplicações também são importantes para aumentar a eficiência do produto. Fato é que ainda não se conhece na totalidade os mecanismos de ação de todos os produtos e, por isso, a pesquisa apresenta uma grande importância para gerar e difundir informações respaldadas sobre a utilização desses produtos na agricultura.

 

Referências

– BULGARI, R., COCETTA, G., TRIVELLINI, A., VERNIERI, P., AND FERRANTE, A. Biostimulants and crop responses: a review. Biol. Agric. Hortic. 31, 1–17, 2015.

– COLLA, G., ROUPHAEL, Y., CANAGUIER, R., SVECOVA, E., CARDARELLI, M. Biostimulant action of a plant derived protein hydrolysate produced through enzymatic hydrolysis. Front. Plant Science, 5, 1–6, 2014.

– DU JARDIN, P. Plant biostimulants: Definition, concept, main categories and regulation. Scientia Horticulturae, v. 196, p. 3–14, 2015.

– YAKHIN, O. I. et al. Biostimulants in plant science: A global perspective. Frontiers in Plant Science, v. 7, n. January, 2017.

 


Escrito por Carolina Souza de Castro,
aluna do 9º semestre do curso de
Agronomia da Universidade Federal do Ceará,
e bolsista do PET Agronomia.
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