Resenha do artigo: Proteínas bioinseticidas produzidas por Bacillus thuringiensis
Autora do artigo: Gláucia Manoella de Souza Lima
Ano de publicação: 2010
O artigo é uma revisão que aborda os aspectos das proteínas produzidas pela bactéria Bacillus thuringiensis, contém 19 páginas e é dividido em tópicos explicativos. Essa organização em tópicos permite um melhor entendimento do assunto abordado. A estrutura do texto segue com uma introdução, apontando a importância de novas tecnologias do controle de praga, bem como entrando numa breve explicação sobre a bactéria. Após a introdução, o texto é dividido em outros tópicos onde se aborda, individualmente, as proteínas e toxinas que o Bt produz, a estrutura da proteína Cry, seu modo de ação e, por fim, a utilização da bactéria no controle biológico de insetos. Apesar da escrita ser de fácil compreensão, é interessante se ter alguma base teórica em genética e bioquímica, pois facilitará no entendimento do texto.
A introdução do texto começa com a importância da utilização de novas tecnologias para o controle de pragas, destacando o biológico. O texto apresenta a bactéria Bacillus thurigiensis, que é uma bactéria entomopatogênica, gram positiva, responsável por produzir proteínas que irão afetar o inseto alvo, conhecidas como proteínas Cry. Mostra também a importância dessa tecnologia no controle por ser altamente específica aos seus alvos, não apresentando atividades tóxicas para mamíferos.
Além das proteínas produzidas, o Bt também produz várias toxinas que também possuem atividade inseticida, como por exemplo alfa exotoxina, beta exotoxina, exoenzimas e proteínas inseticidas vegetativas (VIPs). Os tópicos seguintes do artigo abordam cada uma dessas toxinas mencionadas, individualmente, além de abordar também sobre a proteína Cry, os genes que a codificam, sua estrutura e seu mecanismo de ação.
É importante ressaltar sobre o mecanismo de ação das proteínas Cry. Para estas agirem elas precisam passar por uma série de etapas que vai desde a solubilização dessa proteína, processamento da toxina, ligação com o receptor, inserção na membrana e citólise. E este processo inicia a partir do momento em que há a ingestão do esporo com o Crystal pela larva suscetível.
Para que a proteína seja solubilizada precisa haver um pH alcalino no intestino médio desses insetos alvos. E, diferenças na solubilização, podem contribuir para determinar as alterações no grau de toxicidade entre as proteínas. Mesmo após a solubilização, elas precisam ser processadas por enzimas (ex proteases), presentes no intestino médio do inseto, para que haja a liberação do fragmento tóxico. Esse processo de clivagem pode contribuir para determinar a especificidade. É informado também que o mecanismo de resistência desenvolvido no inseto pode está relacionado com a redução da solubilidade e proteases envolvidas. Isso devido as diferenças no intestino do inseto. Após essa ativação, as proteínas precisam ligar-se a receptores específicos presentes no intestino do inseto, sendo esse fator importante para a toxicidade e especificidade das proteínas.
Por fim, tem-se o último tópico onde aborda a utilização de Bt no controle biológico de insetos praga. Como conclusão, mostra o quanto essa tecnologia vem se destacando e como é importante diversos estudos e procuras por diversas cepas para não contribuir com a resistência dos insetos, além de se ter um manejo adequado. É importante lembrar que não existe uma tecnologia milagrosa, e que seu funcionamento adequado se dá através do entendimento do seu funcionamento para se manejar da melhor forma possível. Portanto é importante utilizar o MIP para se obter resultados satisfatórios e duradouros na sua produção.
Esse artigo é uma ótima leitura para quem quer entender um pouco mais sobre a tecnologia Bt, principalmente, no que se diz respeito ao seu funcionamento. Não possui uma escrita tão pesada e é bastante direto. Não deixe de dar uma conferida!
